Tem uma música do Zé Geraldo que diz que “tiro ao homem, tiro ao pombo, estão todos querendo descobrir seu ovo de Colombo, ISSO TUDO ACONTECENDO E EU AQUI NA PRAÇA DANDO MILHO AOS POMBOS”.
Meu filho mais moço, Rodrigo, enviou-me uma fotografia de Veneza (Itália) na Praça de São Marcos, um dos mais populares pontos turísticos do mundo. Quem já visitou Veneza sabe que a marca registrada dessa Praça, além da catedral e dos monumentos, são os pombos. Milhares de pombos vivem lá, comendo nas mãos dos turistas. De vez em quando, alguém dá um grito e eles saem em revoada. São pássaros assustados e desconfiados e quando uns voam, os demais vão atrás, fazendo um barulho diferente, e por algum tempo a praça fica vazia.
Aos pouquinhos, os pombos começam a retornar, ainda amedrontados e mais desconfiados, e se alguém fizer um simples buuu!!!, eles tornam a se afastar. E retornam em seguida se sentirem que o perigo passou.
Os pombos da praça, apesar dos transtornos que causam, cocô, penas, sujeira, barulho, são necessários, dão vida à praça e todos aprenderam a conviver com sua impertinência.
Claro que, de tempos em tempos, tem que tomar algumas medidas para controlar a super população e alguns pombos tem que ser abatidos. Mas esse é o preço do equilíbrio naquele caos.
Eu concordo com o jornalista Luciano Pires quando ele diz que o mercado global é como a Praça de São Marcos e os pombos são como os investidores, são nervosos, fazem um monte de cagadas e precisam de controle, ou destroem tudo. E a qualquer sinal de perigo saem voando.
A Praça precisa dos pombos tanto quanto o mercado precisa dos investidores, e os pombos precisam da praça. Sem a praça, os pombos perdem, sem os pombos, a praça perde. Estamos em crise e o Rodrigo na Praça de São Marcos dando milho aos pombos.
Com a crise, estamos nos comportando como os pombos, apavorados, desconfiados, mas já, já, a crise de confiança vai passar e muitos vão encontrar grandes oportunidades nessa “crise” e outros vão ficar lamentando. Oh meu Deus, quem vai nos salvar?
Você pode escolher em que grupo quer ficar. Com os pregadores do Apocalipse ou com os visionários da Boa Nova.
Eu sou Beto Colombo e hoje acredito nisso.
Artigo publicado no jornal A Tribuna em 04/11/08.